Lifestyle

Eu sou estagiária, mas também sou gente

Placeholder Image

Vida de estagiário não é nada fácil. A gente ainda tá cursando a faculdade, obviamente, e é claro que a bendita fica do lado oposto do trabalho. São quatro horas e meia de aula por dia depois de ter passado sete horas trabalhando (seis, se você tiver sorte de conseguir tirar horário de almoço), fora o tempo que a gente leva pra se deslocar e, se pegar a hora do rush então, pode esquecer chegar na hora. São onze horas e meia de trabalho diárias só pra ser visto como alguém inferior ou ser culpado por todos os erros.

Eu não entendo porque o estagiário é tão inferiorizado e – ao mesmo tempo – exigem habilidades surreais para alguém que ainda tá na casa dos vinte e poucos. Quantas amigos você conhece que reclamam que tá difícil de arranjar um estágio sem experiência? O que não faz sentido, já que o estágio tem o intuito de dar a chance ao estudante de colocar em prática o que ele aprende na sala de aula. Já parou pra ler as exigências de uma vaga de estágio? Precisa saber duas línguas, no mínimo! Precisa também ser o rei do Excel, saber se comunicar muito bem, ser extrovertido (mas não muito, por que ninguém gosta de engraçadinhos) e ainda precisa de experiências de campo completamente distintas. Tudo isso pra entrar em uma vaga onde as exigências não correspondem a remuneração e adentrar um ambiente onde é apontado como a ponta mais fraca da equipe.

Acredito que todo mundo tem que começar de algum lugar e acho válido o estágio desde que seja uma forma de adquirir experiência, conquistar confiança e desenvolver habilidades com os seus colegas de trabalho. Porém essa história de manter o estagiário como um braço de trabalho que não é reconhecido nunca, mesmo que tenha até mais habilidades e competências que muitos efetivos é errada e muito desestimulante.

O estagiário é essa figura relacionado com aprendizado, não um profissional de baixo custo que vai realizar as tarefas diárias de uma empresa com zero reconhecimento. E nem o cara que vai levar a culpa por erros que deveriam ter sido corrigido por seus “todo-poderosos chefes”. No fim do dia, tratar com humanidade e respeito alguém que pode estar no topo daqui a alguns anos é uma questão muito mais importante do que ter repertório pra fazer piadas bobas durante o café da empresa.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s